| A festa foi grande entre as famílias italianas, que abriram as portas de suas casas, e as famílias portuguesas que receberam a dádiva de coração aberto |
A organização do Encontro Mundial das Famílias optou por alojar muitos
peregrinos junto das famílias de Milão. Ao mesmo tempo que permitia baixar o
orçamento da viagem para quem se deslocava a Milão, o que é sempre importante
em tempos de crise, esta foi uma decisão que permitiu a troca de experiências
entre famílias que, convivendo na mesma casa durante os dias do Encontro, pôde trocar
experiências e testemunhos.
Quando confrontada com a possibilidade de receber famílias em suas
casas, a paróquia de S. Pio X não teve dúvidas e abriu as portas da comunidade
e das suas casas. Em sorte, ou talvez não por acaso, calhou-lhes receber a
delegação portuguesa da diocese de Leiria-Fátima e um dos grupos que se
deslocava da diocese de Braga, num total de 22 pessoas. «Provavelmente,
recebemos portugueses porque eu falo um pouco de português», refere-nos Angelo
Bignamini, uma dos responsáveis pela receção aos portugueses, que esteve três
anos a trabalhar no nosso país.
É sexta-feira à noite e a mesa está posta no centro paroquial. Apesar
de não ser a última noite, no sábado muitos estarão com o Papa na Festa dos
Testemunhos, e assim é hoje que se faz a despedida oficial e organizada. Depois
da mesa farta, vêm as cantorias. Músicas portuguesas, cantadas por italianos,
que vieram cá parar aprendidas no Brasil. «Muitos dos paroquianos fazem parte
do movimento Comunhão e Libertação, e alguns dos sacerdotes italianos foram em
missão para o Brasil, onde ouviram estas músicas e as trouxeram para cá, e
ainda hoje elas se cantam em português», refere Angelo. Entre uma e outra
música, que não se coíbe de cantarolar, conversamos sobre esta experiência que
foi receber famílias em suas casas. «Foi algo de fantástico. Cada vez que
famílias se encontram umas com as outras, com experiências diferentes mas um
sentido comum, isso leva inevitavelmente a uma experiência grande», defende o
professor reformado que ainda dá aulas no politécnico da zona. Apesar de não
haver eventos organizados na comunidade, em virtude do já pesado programa do
Encontro, Angelo explica que a comunidade S. Pio X ganha muito com estas
trocas. «As famílias falam muito entre elas em casa, à noite, e isso volta para
a comunidade sob a forma de testemunhos das famílias que acolheram e trazem
depois essas experiências para a comunidade», argumenta.
A apresentação começa com uma atuação do coro do Instituto Sacro Cuore
que ainda não tem nome. Cerca de dez jovens, em calções e t-shirt, entram na
sala e faz-se silêncio. As músicas são cânticos das tropas de montanha, ou
Canti Degli Alpini, que os soldados de montanha cantavam na 1ª Guerra Mundial e
que se tornaram música popular no Norte de Itália. Seguem-se as tais canções
portuguesas cantadas por italianos, e algumas versões portuguesas, cortesia dos
peregrinos portugueses, que não quiseram deixar de agradecer aos seus
anfitriões esta receção. «Nós, portugueses, achamos que sabemos receber e somos
acolhedores, mas aqui aprendemos uma lição. Eu e a minha mulher ficámos a
dormir no quarto principal da casa, e os donos da casa ficaram na sala, porque
é assim que se recebe por aqui», conta-nos Jorge Teixeira, responsável
diocesano da Pastoral Familiar em Braga. A esposa, Alexandra, recorda como
foram tão bem recebidos. «Quando aqui chegámos, tínhamos um comité de
boas-vindas à nossa espera, e algumas das pessoas que ficaram sem receber ninguém
em suas casas ficaram muito tristes. É um espírito fantástico que temos vivido
aqui», diz.
José Silva, cujo testemunho puderam ler na edição de Junho da FAMÍLIA
CRISTÃ, estava «muito contente» com o andamento tanto do congresso como da
forma como as coisas estavam a correr na paróquia, e não resiste a contar o
momento caricato do dia. «Ofereci-me para dar informações a uma senhora que, ao
ver-me, me disse logo “você está na revista FAMÍLIA CRISTÃ deste mês”, foi
muito engraçado ser reconhecido aqui, no meio do Congresso», disse, entre risos.
Prova clara de que os nossos leitores são atentos e participam nestes eventos
tão importantes para a família…
O Jorge Braga, que é de Braga tanto no nome como na cidade de origem,
estava sem palavras perante tudo. «Foi a primeira vez que vim a um Encontro, a
primeira vez que vi o Papa, a primeira vez em Itália, a primeira vez para tudo,
e está a ser uma experiência fantástica. Nunca estive com uma família de
acolhimento, e nunca imaginei que as famílias que conhecemos aqui tivessem uma
abertura tão grande para com pessoas que não conhecem de lado nenhum. Eu
próprio não sei se teria esta abertura e iniciativa se estivesse a receber, mas
agora sei que é assim que devemos ser para com os outros, e já convidei a
família que me recebeu a ir visitar-nos lá», afirma.
A noite termina com um Pai-Nosso e uma Avé Maria rezados de mão dada,
italianos e portugueses, cada um a rezar na sua própria língua, mas com a mesma
fé e o mesmo sentido. Mais do que as intervenções do congresso ou os ateliês e
as mesas redondas, são estas experiências paralelas que tornam estes encontros
tão fortes e marcantes…



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