O presidente da Comissão Episcopal Vida e Família do Brasil, D. João Carlos Petrini, afirmou hoje que é essencial que as famílias «possam refletir, pensar e organizar-se para defenderem os seus próprios interesses». O prelado falou à Família Cristã no final da conferência de imprensa do dia, e mostrou-se contente com a possibilidade que este encontro permite às famílias de refletirem sobre a sua própria vida. «Este tipo de encontros servem para chamar a atenção das autoridades para estas questões, e ao mesmo tempo convidar as famílias e organizarem-se em associações de famílias, de tal maneira que, como grupo de cidadãos livres e organizados, os homens e as mulheres membros de famílias possam apresentar as suas exigências às autoridades públicas», defende o bispo brasileiro.
D. Petrini mostrou-se preocupado com o ritmo frenético de trabalho dos dias de hoje, que em nada beneficia a família. «Especialmente nos últimos tempos, o trabalho tende a absorver não somente as energias do trabalhador, como o seu próprio tempo. No Brasil, nas grandes cidades, há pessoas que passam 13 ou 14 horas por dia fora de casa, e a vida da família é muito prejudicada. Às vezes, é uma pessoa estranha à família que acaba por tomar o lugar de pai e de mãe», como é o caso dos educadores nas escolas e jardins-de-infância. O presidente da comissão episcopal vida e família adianta ainda preocupações com a vida do próprio casal, «cuja convivência é muito prejudicada pelo pouco tempo que têm para estar juntos».
A escolha de formar família tem sido cada vez mais vincada nos últimos tempos, depois de um período em que não havia outra opção que não essa, ou a vida religiosa, para satisfazer as pessoas. «Na época dos meus pais e avós, era normal que um homem, chegando à idade adulta, casasse e encontrasse a sua realização humana no casamento. A família era o caminho normal, com exceção dos que optavam pelo convento ou o seminário, era a escolha tranquila. Atualmente, a família é mais uma escolha, que tem de ser pensada, e vivida com inteligência. Não pode ser apenas uma coisa espontânea que acontece porque “toda a gente faz assim, e eu também vou fazer assim”, defende D. João Pretini.



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